domingo, 10 de julho de 2011

Papa

Adoro quando o mundo cheira a papa. Adoro ver as pessoas com papa nos cantos da boca, com papa a escorrer-lhes pelo queixo. Pessoas adultas e emancipadas, que trajam bibes e choram quando se sentem perdidas.
Adoro quando o mundo é um ensopado gigante de vomitado de papa. Figos e mel e pequenos flocos - de uma doçura inqualificável - misturados com o suco gástrico de todos os seres humanos do mundo.
Adoro quando o mundo não é mais do que uma ligeira indisposição que me acorda, um capricho sádico que me ocorre, um vómito colectivo que evoco, só porque odeio este mundo, mais do que o resto, por ainda cheirar a papa de criança.

domingo, 29 de maio de 2011

A Lista de Compras

Demasiada humilhação esta, de te escrever de pé, num papel perfumado ridículo, a lista de compras que quero que me tragas antes da noite cair. A única folha que tenho. O único perfume que tenho. A única esferográfica que tenho. A caligrafia nervosa de quem prepara a mala às escondidas para o dia da partida. A ansiedade seca de quem tem fome e sede e desejo, tudo num só coração, pequeno e fraco demais para ser guardado em vão, dentro de mim.
Demasiada espera esta, dentro de um relógio que tem os minutos contados. Dentro de um poema que escrevo e amarroto, misturado com o leite e a manteiga que quero que tragas sem falta. Outro poema, inacabado. Outra lista, mais pequena, menos amanteigada. E eu, toda rasgada e perfumada, tal e qual esse papel perfumado ridículo.
Chego a fazer coisas sem nexo, enquanto procuro respostas para tantas outras, também sem nexo, que anteriormente fiz. Chego a procurar a razão dentro de um saco de aspirador cheio de pêlo de gato e cotão. Chego a espremer, quando nada mais há em todas as embalagens de todos os produtos que colecciono por aí. Pode lá estar tudo ainda. Posso acabar por me espremer, sem querer, e sair algo dentro de mim.
Cuido da casa, como queria que alguém cuidasse de mim. E no fim, bates-me à porta. Trazes um saco de compras e um sorriso pateta de quem adivinhou tudo aquilo que eu queria, para passar bem, mais uma noite, mais um dia, mais uma semana, mais uma temporada. Uma eternidade pegada. Uma guerra, uma intempérie. Um desassossego, um transtorno. Um desespero, um abandono.
Escondo, culpada, a lista e o poema. Trazes tudo o que eu queria, só te esqueceste de mim.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Da saudade, ainda.

Falo da saudade, ainda. Daquela espingarda encostada ao peito e daquele som estridente que anuncia o fim de um coração que bate.
Falo da saudade, ainda. Daquela condição infeliz de te reencontrar deitado, sem vida, de peito rasgado e coração arrombado.
Falo da saudade, ainda. Enquanto a loucura mo permite, prisioneira de quatro paredes almofadadas e de uma janela gradeada.
Falo da saudade, ainda. Quando corto os pulsos, com a mesma lâmina que me aparou o sofrimento.
Falo da saudade, ainda. Ao espelho, reconhecendo um rosto enrugado coberto de lágrimas secas.
Falo de saudade, ainda. Quando falo duma mulher morta, desassossegada por pensamentos que não conseguiu enterrar consigo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Podias

Podias ter corrido para o outro lado da janela. Esperar que os pombos acabassem as suas tarefas lá em baixo e dizer olá. O mundo acaba quando pensas que vais só ali. De dentro dos teus olhos, não são só lágrimas que saem, mas também raios de luz que tu descontente pensas (mal) em guardar para ti.
Podias ter corrido, travessa acima, travessa abaixo, por debaixo de um guarda-chuva gigante, que ali passeava, nas mãos de um desconhecido.
Podias ter encontrado aquela moeda que tanta falta te fazia para comprar um maço de cigarros. Bastava-te tropeçar, se tu em vez desse estúpido teletransporte alucinado que usas, tivesses ousado calçar aquelas botas-com-falta-de-graxa e saído de casa, descido a rua, virado à esquina… et voilá!
Estupidamente, podias ter feito coisas muito menos estúpidas do que o somatório das horas em que vestiste a tua própria pele, masturbando-te orgulhoso diante do espelho. Podias ter vestido um fato corriqueiro e ter encontrado a magia de um certo dia que é diferente de um certo outro. Ali ao lado, do outro lado da janela, podias ter encontrado a alegria, enquanto exclamavas por ela!

As pessoas mortas, nas suas campas, riem-se de ti. As tuas desculpas são quase tão ridículas como as flores que trazias no dia do teu próprio funeral. Encenado, com certeza, que a tua vaidade não te permitiria morrer a sério.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não, também não. Não é aqui que quero estar.

sábado, 12 de março de 2011

Na intimidade

As torneiras de todas as casas-de-banho pingam, pingam, pingam sem parar!
Um rato de esgoto, gordo e de pêlo ralo, à noite faz a sua visita aos restos do jantar.
Uma janela que não fecha e uma corrente de ar. Só no Inverno, para não variar.
O cheiro do vizinho, depois de um banho acabado de tomar (ou de simular).
As discussões do primeiro esquerdo, do segundo direito e de algures no terceiro andar.
A velha debaixo, sempre a roncar.
A ambulância a fazer escala à porta do prédio, todo o santo dia!
Sai velho morto, chega outro a coxear. Vizinho, hoje foi dia de azar?
Lá fora, uma escarreta embeleza o chão. E ao lado, um tesouro? Não, é um cagalhão.
Os catraios pintam bigodes no cartaz do candidato à presidência. Ele já tinha bigode, o Photoshop é que o apagou.
Uma senhora, toda aperaltada, diz um palavrão cheio de pêlos, pus e doenças venéreas. Há quem trema, há quem core, há quem desmaie, mas ninguém é capaz de o reproduzir.
É domingo, ali na tasca. E há jogo e cerveja e mulheres que em casa já sentem os chapadões bem levados depois do prolongamento.
Há sempre um amigo do alheio, um xunga e um paneleiro.
Há sempre aquela que anda com todos e aquela que nunca andou com ninguém.
E aquela outra, que guarda a cadeado, o nome dos mais respeitáveis homens do Bairro.
Cheira a maresia, a sardinha e a qu’isto-não-vai-melhorar.
Por precaução, mete-se a bandeira da nação na varanda a esvoaçar (e a desbotar).
A bem da Pátria, só se fala mal na intimidade.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tinha chegado sexta-feira

As velhas lambiam desalmadamente os seus santinhos agradecendo a absolvição de pecados já esquecidos. Os filhos agrediam os pais por não haver mais escola até segunda-feira. As criadas afoitas choravam depois de mais um par de testes de gravidez negativos. Os barcos ancoravam-se e apodreciam dentro do peixe que não tinha sido pescado. Os bêbedos reencontravam-se e bebiam largos goles de bebidas ácidas procurando a sobriedade prometida. As televisões retomavam as suas emissões a preto-e-branco para gáudio dos revivalistas. As aves retomavam os seus voos migratórios em busca doutros dias da semana, talvez dois ou três domingos. Os sapatos desprendiam-se dos pés e aconchegavam-se nas bermas das estradas, enquanto miravam enternecidos os acidentes rodoviários. As noivas rezavam terços e aguardavam sempre virgens pelo dia seguinte. Os retratos permaneciam amarelecidos nas suas molduras empoeiradas sobre os eternos napperons. Os homens puxavam cigarros e os cigarros deixavam-se fumar. As portas dos lares fechavam-se e lá dentro pessoas-animais gritavam.
Tinha chegado sexta-feira.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Lixo

E eles regressam e trazem consigo caixotes pesados.
Caixotes pesados, que trazem vazios.
E eles carregam-nos às costas.
E eles erguem-nos com os seus fortes braços, calcorreando ruas infinitas,
Sem temer os olhares indiferentes de toda a gente.

À noite, enquanto dormes.
À noite, enquanto caminhas pelo corredor da tua pequena casa, sonolento.
À noite, enquanto apagas a luz, desesperado.

O lixo à tua porta, parte para sempre.
O lixo que te atormenta, rompe os sacos e espalha-se no chão.
E eles apanham-no.
E eles recolhem-no.
E eles retiram-no do teu campo de visão.

E o lixo que tu és, ficará para sempre fechado em vácuo.
Num saco, a um canto do quarteirão.
Não és orgânico, nem tão pouco reciclável.
E não há quem te possa carregar.

E no entanto, eles partem e levam consigo caixotes ainda mais pesados.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rios

A minha vida tem rios. Rios que correm descontrolados, agitados, cinzentos. Rios que cheiram a maresias, maresias que cheiram a distantes pescarias, onde os mares engolem os odores das águas doces dos rios.
A minha vida tem rios. De margens recortadas por mãos humanas. De dejectos descarregados nos seus leitos. De marés vazias sempre cheias. De corpos bicados por gaivotas a boiar distraídos.
A minha vida tem rios. Rios de peixes mortos a correrem poluídos. Rios vazios, rios secos e rios subterrâneos. Rios clandestinos e rios com nomes de mar.
A minha vida tem rios e eu morro de sede.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tudo o que faço

Tudo o que faço, mede-se pelo compasso desacertado do teu relógio parado.
(daí esta minha sensação de estar sempre no mesmo lugar, estática, deixando para depois aquilo que poderia fazer)
Tudo o que faço, de nada serve, portanto.
E, tudo o que serve, de nada me faz.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Amolador II

Não quero mais esperar pelo amolador, enquanto limpo o sangue fresco das facas espetadas no teu peito, depois de mais um dia de trabalho.

O Amolador

O Amolador desce a rua na sua velhinha yeh-yeh. O seu avô ensinara-lhe a profissão que nunca quis aprender, da qual nunca soube viver. O avô, contara-lhe velhas histórias, de ruas cheias de velhas, de facas em punho, para amolar. O amolador esqueceu-se do seu avô, num lar. Nunca lhe ouviu os conselhos e nem sequer gosta da melodia que aprendeu à lareira, nessa infância distante, cinzenta e fria.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amor Urbano

Amor urbano,
Salpicado pela água da chuva que salta da calçada.
Que te molha os pés,
Que te suja o coração.
Amor calçada, dentro da tua urbe,
Imundo na sua essência.
Amor decência.
Amor carência.
Uma cidade inteira dentro de ti.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Era quase Natal

Era quase Natal e ele ainda não tinha dado por nada. Deitado no colchão encontrado, quase novo, encostado a um balde do lixo, passeava o olhar pelas fotografias dela. Descoloradas, as fotografias, reorganizavam-se nas suas mãos. E ela mantinha, em todas elas, os mesmos olhos, os mesmos lábios, o mesmo nariz.
Era quase Natal e ele acostumava-se ao cheiro estranho do colchão encontrado, quase novo, encostado a um balde do lixo. Acostumava-se ao duche rápido de água fria e à sopa, também ela fria, trazida por uma vizinha beata. Era quase Natal e as outras beatas, de tabaco de origem duvidosa, acumulavam-se entre o colchão e a porta do quarto. Ou o que restava dela.
Era quase Natal e, dos dedos encardidos não convencidos do fim daquele amor, nasciam novos cigarros e reorganizavam-se as fotografias, na esperança vã de um sinal. Recordavam-se encontros, beijos e abraços, noutros colchões, noutros quartos, noutros tempos.
Era quase Natal e não se lembrava que tinha fome, que a sopa fria podia arrefecer ainda mais e que as moscas acabariam por cair dentro dela e lutar até morrer. Era quase Natal e preferia afastar-se do prato e refugiar-se no quarto, segredando aos retratos palavras de amor, promessas de uma vida melhor, saudades absurdas e obscenidades permitidas.
Era quase Natal e ele, sem dar por nada, morria afogado em memórias inventadas, num colchão desfeito, encontrado no lixo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Inércia

É desta inércia que falo, quando nada digo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Agora faz sentido o sentido que faz quando me deito e sonho e acordo e vivo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Do altruísmo e outras vaidades encapotadas

Venho duma terra de loucos. Lá, em cada esquina, há um amigo. Um amigo, que também é um louco, como convém na terra da fraternidade, que o nosso país tanto canta em uníssono em vésperas de feriado nacional. Há o louco que nos pede somente cigarros. Há o louco que se senta connosco na mesma mesa de café e monopoliza a conversa. Há o louco que é surdo, mas sabe cantar. Há o louco que se desloca na sua cadeira de rodas ao lado da sua ex-namorada que também é ex-toxicodependente. Há o louco que nos ofende. Há o louco que nos julga loucos. Há o louco de quem fugimos e há também o louco de quem nos rimos.
Se houvesse em iguais proporções médicos e loucos como na velha máxima "de médico e de louco todos temos um pouco", a terra de onde venho teria uma relação de um médico para cada dois habitantes. E seria o melhor sítio para se viver em todo o Portugal continental.
Vem isto a propósito das conversas que se têm por estes lados, nesta internet que nos afasta da realidade e nos consome todos os dias, mas que malfadado destino, é quem nos permite manter o contacto com os amigos que se espalham pelo mundo e talvez também alguma sanidade mental.
Um amigo perguntava-me, a propósito da morte do Senhor do Adeus, se eu tinha ido ao evento-homenagem que se realizou ontem no Saldanha, onde vários populares se juntaram para acenar aos carros, tal como o recém-defunto fazia todas as noites para aqueles lados.
Fui convidada para ir assistir e participar nesse evento-homenagem, mas recusei. Senti-me um pouco tentada, é certo. Dentro de mim, em torno destes eventos, há sempre uma certa curiosidade a três níveis: sociológico, antropológico e psicológico. Porque considero-os, sobretudo, cultos mórbidos onde os seus participantes sentem uma forte necessidade de aparecer e ser vistos. E apetece-me estudá-los, no seu habitat, para perceber que genes influenciaram o desenvolvimento deste tipo de humanos, que hábitos sociais os caracterizam e como é que eles próprios pensam e actuam. Contudo, meti esta minha curiosidade no sítio donde nunca deveria ter saído e apanhei o comboio até casa. Pois não há nada melhor, para uma misantropa assumida como eu, do que chegar a casa e ficar finalmente a sós consigo mesma.
O meu amigo, disse-me que se achava 'besta' por condenar estes eventos e não conseguir perceber o que move as pessoas que os patrocinam. Eu não o considero besta, na medida em que percebo perfeitamente as pessoas que não se enquadram no perfil que é comum àqueles, que ontem, estiveram um par de horas a acenar para os carros e para as câmaras que por ali fotografaram e filmaram. Se o meu amigo é besta, eu sou uma real besta, porque para além de sentir o mesmo que ele, ainda me dedico a escrevê-lo aqui na blogosfera, à mercê dos olhos e das interpretações de todos e quaisquer tarados à solta que vêm parar ao meu blogue por pesquisarem no google "gordas em cuecas".
Nunca me consegui enquadrar em certas e determinadas manifestações populares. Desde miúda que me arrepiam as aulas de ginástica e as visitas de estudo a Lisboa. Até sei fazer a ponte melhor do que ninguém e adoro aprender para além das quatro paredes do meio onde vivo, mas odeio ajuntamentos, coisas feitas em grupo, cantorias e piadas que são cantadas e contadas por toda a gente. Odeio carneiradas, coisas que nos anulam em prol de um todo. E o todo - meu Deus! - ri-se e canta qualquer anormalidade e sente-se orgulhoso da figura que faz, do número que é capaz de juntar.
Convenhamos que o Senhor do Adeus era um louco. Como não o conhecia pessoalmente, posso afirmá-lo sem vergonha nenhuma na cara. Sei que não o era totalmente, porque li algures, que se tratava de um cinéfilo e melómano que, como bom aristocrata que se preze, vivia do dinheiro da família. Mas, mesmo tendo lido o que li, considero-o um louco. Um louco que achava que trazia mais alegria às pessoas, por passar horas a fio, todos os dias, a acenar-lhes um adeus, depois do jantar e antes da cama, ali para os lados do Saldanha. E que era - aparentemente - feliz. E é aí que me permito ter alguma empatia por este ser, porque são poucos, muito poucos, aqueles que realmente se consideram felizes. Considero, desde que reflicto mais a sério sobre esta coisa da condição humana, que a loucura é meio caminho andado para a felicidade.
Reflicto também, desde ontem, sobre as motivações de quem foi até ao Saldanha participar na dita homenagem e sobretudo sobre quem se lembra de homenagear e referir sem parar outro alguém, quando este morre. E acho que se trata tudo de uma grande treta.
E aqui entra a grande besta que eu sou, mais do que o meu amigo (perdoa-me, mas sou mesmo mais besta do que tu, apesar de me apresentar nesta fraca figura, muito mais frágil que o teu viril caparro), porque venho duma terra de loucos, onde todos são castiços à sua maneira e, entre os quais, até há quem saiba escrever muito melhor do que toda a blogosfera junta. Por tal, julgo ter legitimidade mais que suficiente para não ver utilidade nenhuma em exéquias. Todos nós (eu incluidíssima), não fizemos mais do que passar as nossas vidas a rir a plenos pulmões das loucuras dos loucos das nossas 'aldeias'. Por isso, tudo o que seja do domínio post mortem não passa duma grande farsa que não serve nenhum dos interesses dos mesmos, por muito loucos que tenham sido.
Do adeus colectivo de ontem, está tudo dito. Trata-se de um aproveitamento da morte de um senhor, que por muito funcional e intelectual que fosse, não passava de mais um louco aos nossos olhos: olhos de pessoas que ali o viam acenar todos os santos dias e não o imaginavam sequer capaz de juntar duas palavras, quanto mais de admirar e conhecer boa música e cinema. Aproveitamento, para que possamos todos nós paracer mais integrados. Possamos todos nós parecer cidadãos mais activos. Cidadãos que exercem a sua cidadania, o seu altruísmo e a sua vaidade, todos juntos no mesmo prato, onde dias antes, provavelmente cuspiram.
Enfim, como nos tempos da ginástica e das excursões, nunca me enquadrei nestas coisas da sociedade. Exerço uma outra cidadania, menos visível, menos gabarolas. Presto culto a pessoas, umas apenas loucas outras completamente insanas, convivendo com elas todos os dias. Falando-lhes e tentando absorver o melhor que elas têm a dar ao mundo, enquanto seres vivos e pensantes que são. Abraçando-as e amando-as. Acenando-lhes adeus à sua passagem por mim.